Sindicato dos Aeroviários no Estado de São Paulo
Domingo, 01 de Novembro de 2026

Segundo a Abear, a oferta de voos no Acre vai crescer mais de 11% em novembro

31/10/2026

Foto: FAB/Divulgação

Planejar uma viagem de avião no Brasil tornou-se um exercício de paciência e orçamento apertado nos últimos meses. Mas, para quem mora no Acre, as projeções para novembro trazem um alívio inesperado no painel dos aeroportos: enquanto grande parte do país verá aviões em solo e voos cancelados antes mesmo de decolar, o estado terá 11,4% a mais de voos domésticos à disposição em relação ao período anterior.

Na prática, para o passageiro acreano, a expansão da malha aérea local em meio a um deserto de cortes nacionais significa mais assentos disponíveis e maior flexibilidade de horários em um momento crítico do ano.

A conta que não fecha no resto do país

A disparada no preço do querosene de aviação (QAV), combustível que consome sozinho 46% de todas as despesas operacionais das companhias aéreas, forçou o setor a reavaliar a malha aérea nacional. O impacto no bolso do consumidor brasileiro já vinha sendo sentido: segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a tarifa média doméstica saltou de R$ 629,95 em fevereiro para R$ 746,57 em setembro, uma alta de 18,5%.

Com os custos sufocantes, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) cortou a estimativa de voos no país para novembro de 69.545 para 66.210 operações. A tesourada de 3.335 voos (redução de 5%) retira do ar a oportunidade de transporte para cerca de 500 mil passageiros em todo o Brasil.

A retração atinge 19 dos 27 estados brasileiros. Viagens com destino ou partida de Sergipe (-24,8%) e Bahia (-17,4%), por exemplo, sofrerão os cortes mais severos.

O contraponto acreano e a região Norte

Mesmo com o recuo no crescimento da aviação nacional, cuja expectativa de expansão caiu de 9,4% para 4,2%, o Acre consolida-se como um dos raros pontos de ampliação do serviço no mapa brasileiro, ao lado de vizinhos do Norte, como Roraima (15,3%), Rondônia (10,8%), Amazonas (9,6%) e Tocantins (8,4%). Completam a lista de exceções o Mato Grosso do Sul (4%), Piauí (3%) e Santa Catarina (0,3%).

É importante notar que a revisão das companhias não implica o cancelamento automático de passagens já emitidas, mas sim uma menor oferta de novos bilhetes no mercado global. Para o leitor no Acre, contudo, a garantia de maior oferta local surge como um respiro contra a escalada de preços que afeta o resto do país, mantendo o estado conectado às principais capitais em um cenário de isolamento logístico crescente.