Sindicato dos Aeroviários no Estado de São Paulo
Sexta, 26 de Junho de 2026

Queda das tarifas aéreas pode levar até um ano para chegar ao consumidor, avalia CEO da Latam 3 minutos

25/06/2026

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Jerome Cadier, da Latam Airlines (M&E)

Mesmo com a recente queda nas cotações internacionais do petróleo, os passageiros não devem esperar uma redução imediata na tarifa das passagens aéreas. A avaliação é do CEO da Latam Brasil, Jerome Cadier, que estima um intervalo de seis a 12 meses para que uma eventual diminuição dos custos seja refletida nas tarifas.

Segundo o executivo, o principal entrave é o comportamento do querosene de aviação (QAV), um dos maiores componentes da estrutura de custos das companhias aéreas. Embora o barril do petróleo tenha recuado nos últimos dias, o combustível utilizado pelas aeronaves continua pressionado por fatores ligados à produção e ao cenário geopolítico.

“Preço do petróleo caiu, mas o do combustível de aviação continua alto. A produção do QAV (Querosene de Aviação) depende da disponibilidade das refinarias, que também foi afetada pelo cenário envolvendo a guerra no Irã”, afirmou Cadier durante jantar promovido pelo grupo Mercado & Opinião, em São Paulo.

Na avaliação do CEO, a redução das tarifas não ocorrerá no curto prazo e tampouco deve levar os preços aos patamares observados antes do agravamento das tensões no Oriente Médio.

“Preços das passagens devem demorar ao menos seis meses para mudar. Ainda assim, Cadier diz que não se pode esperar que os preços retornem aos patamares pré-guerra. Isso porque o preço do barril de petróleo também não deve retornar aos patamares anteriores tão cedo.”

Nos últimos dias, o barril do petróleo tipo Brent voltou a ser negociado abaixo de US$ 80, movimento impulsionado pelo aumento do tráfego no Estreito de Hormuz, importante rota para o comércio global da commodity. No início de junho, a Petrobras também reduziu o preço do QAV, mas o combustível ainda acumula altas desde o início do ano.

“Renda pesa mais que preço na expansão do mercado”

Para Cadier, o crescimento da aviação comercial brasileira depende menos de uma redução nas tarifas e mais da ampliação da renda da população. Na visão do executivo, aumentar o poder de compra dos brasileiros é o principal caminho para ampliar o número de passageiros no País.

“A questão é que no Brasil a renda é baixa”, afirmou. “Por isso, medidas como a isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil são positivas para o setor”, avaliou.

Hoje, cerca de 20 milhões de brasileiros viajam de avião, número que, segundo o CEO, tem potencial para crescer significativamente caso o País adote políticas de longo prazo para o setor.

“Olhando para frente, duplicar esse número não parece sonho. É possível”, disse. “Para isso, um ponto importante é o Brasil ter um planejamento de longo prazo para o setor.”

As declarações foram feitas durante debate que também reuniu Luiza Trajano, presidente do conselho de administração do Magazine Luiza, e Artur Grynbaum, vice-presidente do conselho de administração do Grupo Boticário.