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14/05/2019

Questão de segurança: os bagageiros do avião deveriam acabar?

Emergências podem despertar a irracionalidade nas pessoas. É o que ocorre em acidentes aéreos. É um momento em que é preciso ser rápido, mas, pelas imagens da tragédia com avião da Aeroflot, na Rússia, muitos sobreviventes, antes de fugir, pararam para pegar suas bagagens.

Essa decisão foi crucial para atrasar a saída das outras pessoas, já que ninguém tem muita ideia da gravidade da emergência e, entre os demais passageiros, a tendência, como nos voos, é ficar no corredor e esperar a vez.

É lógico que existem outros fatores nessa tragédia. Os bombeiros demoraram. O tempo para a aeronave se esvaziar - só 55 segundos - era curto demais. Mas em três outros incêndios em aviões nos Estados Unidos e em Dubai os passageiros também foram vistos na saída carregando os pertences que estavam guardados no bagageiro.

As companhias aéreas recomendam nas instruções de emergência que cada um saia o mais rápido possível, deixando as bagagens para trás. Mas o comportamento dos passageiros em um momento de stress não segue as medidas de segurança.

Além do problema de segurança, os bagageiros muitas vezes são motivo de discórdia. Se já existe uma briga pra saber se dá ou não para reclinar a poltrona no avião, a disputa por espaço para os pertences não é menor desde que as companhias aéreas passaram a cobrar para despachar a bagagem.

Quem já teve de lidar com bagageiros completamente lotados sabe qual é a sensação. Fora o incômodo de arrumar, mesmo que no bagageiro alheio, um lugar para seus objetos, o problema algumas vezes também oferece risco para a tranquilidade do voo.

Em 2017, a polícia retirou um passageiro do avião em Tampa, nos Estados Unidos, que brigava por causa de um bagageiro lotado. No ano passado, foi a vez de dois homens trocarem socos em um voo que ia de Dallas, no Texas, para Los Angeles, na Califórnia.

Nessa questão, a solução das companhias aéreas caminha numa direção: cobrar pelo espaço. Os aviões vêm sendo redesenhados para bagageiros inteligentes e maiores, que no futuro poderão ser reservados antecipadamente, mas serão pagos.

A medida puniria os abusos de quem exagera nas bagagens de mão e em tese abriria espaço no bagageiro para todo mundo. Mas nada leva a crer que as pessoas que pagarem pelo bagageiro vão se comportar diferente numa emergência.

No ano passado, um estudo da Royal Aeronautical Society, do Reino Unido, propôs que todos os bagageiros tenham trancas acionadas remotamente. Não poderiam ser abertas pelos passageiros. No entanto, alguns especialistas argumentam que alguns passageiros podem perder ainda mais tempo numa emergência tentando abrir à força o bagageiro.

Como fazer então?

Marilia Garcia, escritora especialista em aviação, propõe em artigo para a revista Forbes americana simplesmente acabar com os bagageiros. Os aviões seriam redesenhados para receber todas as bagagens, com as companhias aceitando não cobrar pelas bagagens de mão,

Já os passageiros poderiam levar apenas uma pequena bolsa ou mochila, guardadas embaixo da poltrona. No caso de uma evacuação de emergência, ninguém perderia tempo com o bagageiro, ajudando a evitar tragédias como a da Rússia.

O avião é o meio de transporte mais seguro, mas no caso de acidentes a reação dos passageiros é importante. As discussões sobre como tornar os voos mais seguros deveriam levar em conta o comportamento deles.

 
 
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