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Notícias

23/05/2018

Alta do dólar deixa turistas apreensivos na hora de escolher destino

 As oscilações do dólar nas últimas semanas têm afetado não apenas quem importa ou exporta produtos. O setor do turismo também vem sentido os impactos da desvalorização do real diante da moeda americana. O aumento do câmbio ocorre às vésperas da alta temporada, entre junho e julho, quando muitas famílias aproveitam as férias escolares para viajar.

Segundo o relatório Focus, do Banco Central (BC), que ouve semanalmente analistas de bancos e corretoras sobre suas projeções para inflação, taxa Selic (aquela que remunera os títulos do governo no mercado financeiro e serve de referência para as operações nos bancos e no comércio) e o Produto Interno Bruto (PIB, a soma da produção de bens e serviços do país), há quatro semanas a expectativa era de que a taxa de câmbio ficasse em R$ 3,33 em 2018.

Na última publicação, do dia 18, a estimativa  subiu a R$ 3,43. Da mesma forma, aumentou a projeção para 2019, que era de R$ 3,40 e agora chegou a R$ 3,45. Nos últimos dias, com a intervenção do BC, a moeda americana, que chegou a ser comercializada a R$ 3,75, cedeu um pouco, mas ainda reflete a insegurança no mercado financeiro.

Na tentativa de minimizar o efeito cambial, agências de turismo, casas de câmbio e seguradoras têm definido com suas equipes de vendas estratégias para garantir que o impacto na receita seja pequeno. Renata Franco, diretora-geral da Stella Barros Turismo, conta que já percebeu o aumento da procura por pacotes nacionais, em especial por resorts no Nordeste. Os principais destinos comercializados pela empresa são Orlando e os parques da Disney, mas também há muitos clientes que buscam pacotes ligados à prática de esportes.

Neste ano, com a Copa do Mundo da Rússia, a empresa conseguiu fonte adicional de receita e a procura está acima do esperado. “No caso da Disney, nossos pacotes de julho já estavam vendidos, por isso não devemos sentir o efeito da alta do dólar. Mas não sabemos como será a partir de agosto, quando começam as consultar para viagens de janeiro”, diz.

Há ainda aqueles clientes que esperam até a última hora para decidir por uma viagem na esperança de o dólar baixar. Para minimizar os impactos, a empresa decidiu aumentar o parcelamento dos pacotes de 10 para 12 vezes e pode decidir congelar a cotação do dólar que usa em seus cálculos. “Torcemos para que a cotação fique estável. Assim as pessoas podem programar melhor suas viagens, mesmo que o valor da moeda americana fique em um patamar mais alto”, analisa a diretora-geral da Stella Barros.

A Belvitur, agência de turismo e casa de câmbio com 25 lojas em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, observou queda de 9% na venda de pacotes internacionais apenas na última semana, quando o dólar alcançou a faixa de R$ 3,75. O tíquete médio para a compra de moeda estrangeira recuou 30%. Preocupado, Marcelo Cohen, diretor-presidente da empresa, conseguiu negociar com companhias aéreas para poder oferecer preços promocionais. A passagem de Belo Horizonte a Miami ou Belo Horizonte a Orlando, vendida há duas semanas por US$ 850, passou a ser oferecida por US$ 499 até dia 28. Além disso, conta o empresário, a cotação do dólar usada nas viagens foi congelada entre R$ 3,40 e R$ 3,50.

“Por enquanto, não sentimos queda muito grande porque muitos clientes têm refeito seus planos, reduzido o número de dias da viagem e optado por hotéis mais econômicos. Mas estamos atentos para o caso de precisarmos fazer mais promoções, mesmo que cortando ainda mais a nossa margem, e assim gerar demanda nas lojas. Melhor ganhar menos do que não ganhar”, avalia Cohen.

A superintendente de marketing da Confidence, corretora de câmbio com 120 lojas, Esperança Pizzolante reforçou o serviço de consultoria prestado pelos funcionários aos clientes. O objetivo, segundo ela, é que a equipe possa oferecer alternativas aos turistas para que eles apenas mudem o destino e não deixem de viajar. “Procuramos mostrar como é possível se planejar para as viagens, comprando a moeda do país aos poucos, e falamos de outros lugares onde a cotação é mais favorável do que os Estados Unidos, por exemplo, Austrália e países da América Latina. No geral, as pessoas se esforçam para manter os planos de viagem”, explica.

Segundo a executiva, ainda não é possível avaliar qual deve ser o impacto da alta do dólar na receita da companhia, que também opera com banco e no mercado on-line. No próximo mês, Esperança Pizzolante acredita que haverá mais clareza sobre qual deverá ser a tendência para o turismo internacional. A maior apreensão é quanto a possíveis efeitos na procura por dólar por quem está fazendo planos para intercâmbio no início de 2019. “Apesar da indefinição, ainda esperamos que o impacto não seja tão absurdo assim”, estima.
 

Intercâmbio 


A STB, especializada em pacotes para intercâmbio, registrou nas últimas semanas uma migração da procura por cursos nos Estados Unidos para outros países, como África do Sul, Austrália, Nova Zelândia e Canadá, conta Rui Pimenta, diretor nacional de vendas. Há ainda quem prefira adiar a viagem para quando houver alguma definição quanto ao comportamento da moeda americana. Mas a empresa tem orientado seus funcionários por meio de reuniões periódicas para que ofereçam outras opções para quem quer fugir do dólar desde já. “Sabemos que haverá um impacto nas vendas de cursos, mas estamos buscando alternativas para não deixar de fechar negócio”, diz.

Outra forma de não deixar o cliente sair de uma das lojas de mãos vazias é oferecer pacotes mais atraentes, de preferência com preço promocional. Segundo Pimenta, uma escola da Austrália, por exemplo, chegou a oferecer 30% de desconto para tentar atrair mais alunos brasileiros. Outra acrescentou de graça duas semanas ao calendário original de 14 semanas de curso. “Temos intensificado essa negociação com os fornecedores para garantir que no segundo semestre, independentemente do comportamento do câmbio, as vendas se mantenham”, afirma o executivo. A STB estuda também aumentar o parcelamento dos pacotes.
 

Dentro do país 


Ralf Aasman, diretor executivo da Air Tkt, entidade que reúne as maiores consolidadoras de bilhetes aéreos do país (faz a intermediação entre companhias aéreas e pequenas e médias agências de turismo), diz que o grande temor do setor turístico é de que a moeda americana continue a oscilar, como tem ocorrido nas últimas semanas. Isso porque, segundo ele, mesmo que a cotação esteja alta, mas sem solavancos, o turista se prepara mais para viajar — normalmente economiza por mais tempo até ter os recursos necessários. Mas se o futuro ficar incerto demais, é muito difícil fazer planos.

Para Aasman, o turismo interno deve levar vantagem se o atual comportamento da moeda americana se mantiver por mais tempo — não só como alternativa para os brasileiros trocarem a viagem para o exterior por um destino nacional, mas também pelo aumento da demanda de viajantes estrangeiros, que, ao fazer as contas, verão o Brasil como um lugar barato para passar as férias.

Com cerca de 520 unidades, a rede de franquia Encontre Sua Viagem, vem intensificando as ofertas de destinos nacionais para aqueles turistas que planejavam embarcar ao exterior. Henrique Mol, diretor-geral da empresa, acredita que o alto preço para quem quer cancelar ou adiar uma viagem deverá desencorajar muitos clientes que pensam em desistir das férias.

“Não acreditamos que haverá impacto nas vendas porque a maioria deverá gastar o mesmo que previa desembolsar no exterior antes da alta do dólar. Esses viajantes vão manter o orçamento inicial, com a vantagem de poder escolher um hotel melhor ou comprar um pacote com mais dias”, acredita.

Para o executivo, o aumento da demanda por produtos turísticos no mercado interno poderá ter um efeito colateral: a alta dos preços de hotéis e passagens aéreas. “Ainda não temos visto esse movimento, mas não é algo que possamos garantir que não vá ocorrer nos próximos meses” diz o executivo.

 

 
 
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