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21/01/2018

Israel quer deportar africanos, mas rabinos se unem contra decisão

Quase 40 mil africanos serão obrigados a deixar Israel em menos de 90 dias, conforme decidiu o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, no último dia 2 de janeiro. No entanto, muitos cidadãos do país não concordam com a decisão governamental, tanto que um grupo de rabinos lançou o programa “Anne Frank” para proteger os migrantes que correm risco de expulsão.

Susan Silverman, irmã da comediante Sarah Silverman, é uma das líderes do movimento Rabinos pelos Direitos Humanos (Rabbis for Human Rights), que espera ajudar as 40 mil pessoas que solicitaram asilo no país a partir da iniciativa “The Anne Frank Home Sanctuary”. A maioria dos migrantes chegaram à Israel a partir do Sudão (19%) e da Eritréia (73%), mas apenas 0,15% das pessoas que pediram asilo são reconhecidas como refugiadas.

De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, apenas 10 imigrantes foram reconhecidos por Israel como refugiados, sendo oito eritreus e dois sudaneses. Os africanos que requerem asilo atravessaram a África na última década, entrando no país pela fronteira sul para buscar uma vida melhor e escapar das guerras.

Segundo a Agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para Refugiados (ACNUR), aproximadamente 4 mil africanos da Eritreia e Sudão foram transferidos através do “Programa de Partida Voluntária”.

“Quem aqui estaria disposto a alojar as pessoas?”, questionou Silverman em uma reunião de rabinos e educadores em Jerusalém. Cerca de 130 pessoas se disponibilizaram para participar da iniciativa imediatamente. A ideia, segundo a rabina, surgiu a partir das “cidades-santuário” que existem nos Estados Unidos, oferecendo proteção aos imigrantes ilegais em território americano.

Além de abrigar os requerentes, o Rabinos pelos Direitos Humanos ainda pretende acompanhar os requerentes de asilo em passeios ao Jardim dos Justos das Nações em Yad Vashem – museu e memorial do Holocausto de Israel. Os justos entre as nações eram não-judeus que se arriscaram para salvar judeus durante o Holocausto.

“As pessoas arriscaram suas vidas para salvar judeus e nós, como país, estamos agora dizendo que não queremos arriscar a menor mudança demográfica. Nós temos um primeiro-ministro que está citando Faraó quando diz [dos requerentes de asilo] que seus números crescerão”, explicou a rabina Silverman.

Os rabinos também estão planejando protestar contra companhias aéreas dispostas a transportar africanos deportados. Ademais, a organização quer lançar uma campanha de mídia social em larga escala para que os líderes e ministros israelenses sejam reconhecidos como racistas.

40 mil deportações

Em agosto de 2017, a Suprema Corte de Justiça de Israel sancionou a política de deslocamento forçado pautada pelo governo federal em março de 2015. Com isso, nos últimos anos alguns migrantes aceitaram a deportação voluntária para Ruanda e Uganda, que teriam um acordo com Israel para receber os africanos.

No entanto, nesse início de janeiro os governos de Uganda e Ruanda negaram o acordo com Israel. O vice-ministro das Relações Exteriores de Ruanda, Olivier Nduhungirehe, explicou, através de uma nota, que nunca houve um acordo com Israel para os migrantes africanos, fato o qual o ministro de Estado de Uganda para Relações Internacionais, Henry, Okello, Oryem, também afirmou.

“Esses migrantes estão sujeitos a todos os tipos de risco. Nos últimos dois meses, quando o governo anunciou a deportação de forma oficial, muitas pessoas fizeram manifestação. A oposição está fazendo a sua parte, mas eles não têm força suficiente”, explicou Dror Sadot, porta-voz da Hotline for Refugees and Migrants.

Na primeira semana deste ano, o primeiro-ministro israelense elogiou o plano de deportação, chamando-os de “intrusos” e afirmando que eles “têm uma escolha simples. Ou eles cooperam conosco e deixam o país voluntariamente, respeitosamente, humanamente e legalmente, ou devemos usar outros meios à nossa disposição”.

As medidas de Benjamin Netanyahu garantem um vale de US$ 3,5 mil e um bilhete de avião para os africanos que aceitarem deixar Israel. Porém, a mídia israelense informou que alguns requerentes de asilo enfrentaram tortura e, até mesmo, tráfico de seres humanos depois que foram enviados para Ruanda e Uganda pelo governo israelense.

De acordo com os dados da Acnur, todos os migrantes que requisitaram asilo – aproximadamente 27 mil da Eritreia e 8 mil do Sudão – entraram legalmente em Israel, pois o país adotou uma política de não-remoção. Assinada por Israel, a Convenção de 1951 sobre os Refugiados impede que ocorram deportações ou julgamento judicial de quem solicitou abrigo, mesmo que estejam ilegais no país.

“Há 65 milhões de pessoas deslocadas e refugiadas no mundo. Israel não pode absorver essas 40 mil pessoas que estão aqui. Temos que colocar todos esses números em perspectiva, mas ele não pode expulsar, prender”, disse uma ativista.

Segundo o porta-voz da Hotline for Refugees and Migrants, os imigrantes que estão sendo expulsos chegaram entre 2006 e 2012 em Israel, antes que o país criasse uma barreira de segurança, fechando a rota para os refugiados que tentavam chegar a partir da Península egípcia de Sinai.

Anne Frank

A jovem, que inspirou o programa “The Anne Frank Home Sanctuary”, se tornou uma das mais famosas vítimas judaicas do Holocausto depois que o seu diário de vida como judaica foi publicado em 1947. Infelizmente, Anne Frank não conseguiu escapar dos campos de concentrações nazistas, morrendo em Bergen-Belsen quando tinha apenas 15 anos de idade.

 
 
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