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08/08/2017

Associações contestam plano de Doria de tirar voos do Campo de Marte

GUILHERME SETO SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O prefeito João Doria (PSDB) anunciou nesta segunda-feira (7) um plano para desativar a pista de aviação e retirar os hangares (estacionamentos de aeronaves) do Campo de Marte, na zona norte de São Paulo, até 2020, no final de seu mandato. A intenção -que repete uma ideia que não saiu do papel na gestão do ex-prefeito Fernando Haddad (PT)- foi exaltada pelo tucano depois de uma cerimônia para oficializar a transformação de parte do terreno do Campo de Marte em parque municipal. O Campo de Marte teve em 2016 mais de 84 mil pousos, decolagens e aulas de aviação. Ele não atende voos regulares de companhias aéreas comerciais, mas aviões particulares, jatos executivos e helicópteros, por exemplo. Uma eventual extinção de voos já é alvo de forte resistência de usuários. Flávio Pires, diretor-geral da Abag (Associação Brasileira de Aviação Geral), afirma que tem faltado diálogo. "As associações não foram procuradas. Somos contrários a qualquer iniciativa para diminuir a atividade do aeroporto ou fechá-lo. O Campo de Marte é o terceiro mais movimentado do Estado, atrás somente de Guarulhos e Congonhas." Na gestão Haddad, a ideia de desativação do aeroporto foi condicionada à criação de terminais que pudessem servir como opção para os voos. Doria disse nesta segunda que já existem várias alternativas ao Campo de Marte. "Há aeroportos funcionais em operação e novos que serão implantados no entorno da região metropolitana de São Paulo. Mas já há [aeroportos em] Jundiaí, Sorocaba. Não há nenhum problema para acomodação da aviação geral", afirmou o prefeito. Flávio Pires discorda. "Falar em Jundiaí ou Sorocaba só mostra que o prefeito não conhece esses lugares. Eles não comportam a atividade do Campo de Marte, e precisam evoluir em termos de controle de tráfego e de torre de segurança para chegarem ao mesmo nível." "Nos Estados Unidos, há 5.000 pistas pavimentadas. No Brasil, apenas 700. Há um gargalo em estrutura aeroportuária. Fechar é fácil, construir é difícil", conclui. "Ele [Doria] vai quebrar todas as empresas que estão ali. Empresas de 60 anos de existência. Cada hangar tem várias empresas especializadas, cuidando de manutenção de aeronaves, compra e venda, bases para empresas de táxi aéreo", afirma Jorge Bittar, presidente da Abtaer (Associação Brasileira de Táxi Aéreo e Oficinas de Manutenção). OFICIALIZAÇÃO Nesta segunda, a Prefeitura de São Paulo oficializou um acordo com a União, com a presença do presidente Michel Temer (PMDB), para que 20% do terreno (406 mil m²) de 2,1 km² do Campo de Marte, sem incluir a pista para voos, sejam destinados a um parque. "Após a implantação do parque, teremos a segunda etapa, a ser decidida em tempo e em formato, para a desativação da pista do Campo de Marte, que hoje é mais utilizada para aviação geral e muito pouco pela Aeronáutica", divulgou João Doria. "A última etapa envolve os hangares, que também serão objeto de um entendimento amplo com a Infraero e com as empresas que ocupam estes hangares e a preservação da unidade do [helicóptero] Águia, da Polícia Militar, que continuará ali", completou. O Ministério dos Transportes, porém, diz não ter recebido pedido formal de Doria sobre a extinção da pista. É a pasta que dará as diretrizes à Infraero, empresa federal responsável pelo terreno. Parte do terreno também contará com um museu aeroespacial, montado com acervos de outros museus e aviões da Força Aérea Brasileira. O prefeito disse que a área do aeroporto, quando incorporada, será utilizada para uma ampliação do parque.

 
 
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