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Notícias

24/07/2017

Em Congonhas, festa atrapalha descanso de tripulação

Aeronautas acionaram sindicato contra o barulho na madrugada

SÃO PAULO — Segundo mais movimentado do país, o aeroporto de Congonhas fecha para pousos e decolagens às 23 horas, mas tem sido transformado em palco de festas raves nas madrugadas de sábado e domingo, causando transtorno aos moradores do entorno. As festas começaram há cerca de dois meses, depois da criação de um espaço multicultural na praça do edifício garagem do aeroporto. À época, a Infraero informou que a área era subutilizada e abrigaria atrações culturais alternadas para dar entretenimento às pessoas que utilizam o aeroporto.

A professora Maria Lúcia Martinelli, que mora na Avenida Invernada, vizinha ao aeroporto, afirma que, na madrugada do último sábado, a música eletrônica começou às 23 horas, depois do fechamento do aeroporto, e só parou às 6h da manhã, quando ele reabriu.

— Foi a quarta festa do tipo e o som é ensurdecedor. A batida é constante e o som tão alto que vibra tudo, as janelas trepidam. Ninguém dorme. Da última vez teve morador que foi dormir no carro, na garagem, porque o som fica mais abafado - diz ela.

— Não temos nada contra festas, mas é preciso ter proteção acústica. Ali não tem nada — explica.

A área de eventos é, na prática, o teto do estacionamento do aeroporto. Na internet, há um anúncio para a próxima festa, dia 5 de agosto, com duração de 12 horas, entre 18h e 6h. "A festa aterrissa no aeroporto de Congonhas para realizar sua maior edição", diz a publicação.

Marco Aurélio Marchetto, também morador do bairro, afirmou que chegou a ir ao aeroporto durante a madrugada, mas os seguranças lhe disseram que a festa tinha alvará da Prefeitura e autorização da Infraero. Funcionários de companhias aéreas moram nas proximidades já começam a se preocupar.

Segundo o dentista Fábio Silvestre, outro morador da vizinhança, os eventos estrearam com um baile funk, que também varou a noite e só terminou na manhã de domingo. Desta vez, com a mulher recém-operada, ele foi dormir na casa de um parente.

— É um desrespeito. O aeroporto fecha justamente para que as pessoas possam dormir e descansar. Agora vem o pancadão.

Há alguns anos, a Igreja Nossa Senhora do Guadalupe, na Rua Moraes de Barros, nas proximidades de Congonhas, parou de tocar o sino da igreja nas manhãs de domingo justamente porque o barulho era considerado acima do permitido por lei. A quantidade de decibéis das badaladas foi medida e o sino acabou proibido depois de reclamações de vizinhos.

Funcionários de companhias aéreas moram nos bairros próximos ao aeroporto, como Campo Belo, e já começam a se preocupar.

— A gente se apresenta no aeroporto perto de 5h30m da manhã para voar. A falta de descanso afeta a segurança do voo e já levamos o assunto para o Sindicato dos Aeronautas. Vários comissários e pilotos moram, inclusive, no mesmo prédio que o meu. Como vamos voar sem dormir? - conta a comissária de bordo Luciana Patrocínio, moradora da Rua Vieira de Moraes, que fica bem na direção do aeroporto.

Luciana explica que, como as festas acontecem ao ar livre e no alto, o som se propaga com o vento.

— Não tem nada para barrar o som. Os vidros das janelas tremem.

A comissária conta que até mesmo uma atividade rotineira de segurança de voo já foi impactada pelo barulho.

— É uma espécie de prova oral que fazemos dentro da aeronave, geralmente à noite, depois que o aeroporto fecha. Fizemos, mas o barulho atrapalhou bastante — relata.

Procurada, a assessoria da Infraero confirmou que a praça do estacionamento foi alugada para a empresa Drago Live em abril passado, um contrato comercial para realização de eventos no local. Informou que a empresa havia informado que faria testes para determinar o revestimento acústico das tendas. Agora, com a reclamação dos vizinhos, vai entrar em contato com a empresa para verificar as queixas e apurar o que está acontecendo.

 
 
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