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06/12/2013

Restos mortais de Jango retornam para São Borja em avião da FAB

Vinte e três dias após desembarcarem em Brasília para serem submetidos a exames, os restos mortais do ex-presidente João Goulartforam transportados, às 7h53 desta sexta-feira (6), em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para retornarem para o município de São Borja (RS). Deposto com o golpe militar de 1964, Jango, como era conhecido, foi exumado para que sejam esclarecidas as circunstâncias da sua morte.

O embarque do caixão do ex-presidente da República na Base Aérea de Brasília foi acompanhado, em uma pequena cerimônia, pela viúva de Jango, Maria Thereza Goulart, pelo filho João Vicente Goulart e pela ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário. Ao ingressar na aeronave da FAB, a esquife estava coberta por uma bandeira do Brasil e foi carregado por quatro militares da Aeronáutica ao som da marcha fúnebre. O avião decolou em direção ao Rio Grande do Sul às 8h21.

O ex-presidente morreu em 1976, supostamente de infarto, mas, para a família, ele foi assassinado. De acordo com a Polícia Federal, os resultados dos exames realizados por peritos só devem ser conhecidos em oito meses.

De acordo com a Secretaria de Direitos Humanos, o desembarque no aeroporto municipal de São Borja está previsto para as 11h. De lá, os restos mortais seguirão em cortejo para a Igreja Matriz da cidade, para uma missa de corpo presente, por volta das 15h30. Segundo a secretaria, a prefeitura decretou feriado no município.

A reinumação (designação para o novo enterro) está marcada para as 16h30, no Cemitério Jardim da Paz. Todos os deslocamentos feitos em São Borja serão acompanhados pela Brigada Militar do Rio Grande do Sul e pelas Forças Armadas.
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A Secretaria de Direitos Humanos não confirma quem participará da cerimônia na Base Aérea em Brasília. De acordo com a Comissão Nacional da Verdade (CNV), o secretário-executivo da comissão, André Sabóia acompanhará.

Os senadores Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e Pedro Simon (PMDB-RS) foram convidados pela família. Os dois assinaram o projeto que anulou a sessão legislativa que destituiu João Goulart do cargo, em 1964.

Morte no exílio
Jango morreu em 6 de dezembro de 1976 em sua fazenda em Mercedes, na Argentina.

Cardiopata, ele teria sofrido um infarto, mas uma autópsia nunca foi realizada. Na última década, evidências levantaram a hipótese de que o ex-presidente tenha sido envenenado por agentes das ditaduras uruguaia e argentina, em colaboração com o governo brasileiro.

A principal delas foi o depoimento do ex-espião uruguaio Mario Neira Barreiro ao filho de Jango, João Vicente Goulart, em 2006. Preso por crimes comuns, ele cumpria pena no presídio gaúcho de Charqueadas. Disse que espionava Jango e que participou de um complô para introduzir uma substância mortal nos medicamentos que o ex-presidente tomava.

Em 2007, a família de Jango solicitou ao Ministério Público Federal (MPF) a reabertura das investigações. O pedido de exumação foi aceito em maio deste ano pela Comissão Nacional da Verdade (CNV).

 
 
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