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06/12/2013

Tragédia da Gol destrava investimentos e espaço aéreo fica mais seguro no País

O espaço aéreo brasileiro não é o mesmo desde 29 de setembro de 2006, quando o voo 1907 da Gol desapareceu dos radares e matou 154 pessoas na Serra do Cachimbo, no Mato Grosso. Desde a tragédia, projetos de investimento para otimizar a navegação pelos ares saíram do papel e hoje o Brasil começa a implantar a Navegação Baseada em Performance (PBN, do inglês, Performance Based Navigation), que promete redesenhar as aerovias entre as principais capitais. Além de maior segurança, com monitoramento via satélite, os ganhos seriam a redução do tempo de viagem e maior oferta de voos.

“Estamos assistindo a modernização do setor. Até 2006, o que aconteceu é que a estrutura não suportou o aumento da demanda. Estava no gargalo. (Depois do acidente) praticamente tudo que estava previsto de investimento saiu do papel”, explica o doutor em Ciências Aeronáuticas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e presidente da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Transporte Aéreo, Erivelton Guedes.

O pacote de mudanças, que inclui o PBN, faz parte do programa Sirius, que ganhou o nome de estrela e define o uso de satélites e comunicação digital para a aviação. A principal diferença é que atualmente o controle do espaço aéreo é feito com base em antenas posicionadas no solo, enquanto que o novo sistema usa satélites e comunicação digital para definir os caminhos de viagem. “As aeronaves começam a se autocontrolar, falam diretamente com o sistema de controle. A tendência é automatizar tudo”, afirma Guedes.

Após dois anos para implementação, o Sirius atua nas áreas de aproximação de aeronaves em Brasília e Recife, e alcançará Rio de Janeiro e São Paulo em 12 de dezembro, segundo a Força Aérea Brasileira. Já os 22 milhões de km2 do espaço aéreo nacional devem ser cobertos até 2015. Para os benefícios chegarem ao passageiro, no entanto, as companhias aéreas precisam se adequar às inovações, seja com equipamentos e treinamento das tripulantes. Atualmente, a GOL é a única companhia que utiliza o sistema.

Grandes túneis virtuais

Para entender o conceito do PBN, basta imaginar cada aeronave voando e cumprindo o seu trajeto dentro de um túnel virtual, que varia de tamanho conforme a demanda. A alteração representa maior segurança e precisão no rastreio dos aviões já que os sistemas de bordo acusariam prontamente qualquer desvio de rota. Isso porque, em vez de viajar em zigue-zague, como é hoje, as aeronaves vão fazer o trajeto praticamente em linha reta, o que também vai diminuir o tempo de viagem entre as cidades. Um exemplo disso é o percurso entre São Paulo (Congonhas) e Brasília, normalmente de 1h 30 min, que terá redução potencial de 11 minutos.

A possibilidade de maior aproveitamento desses "túneis", com voos simultâneos, faz com que o conceito se torne uma das principais bandeiras do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) para a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Isso porque é com este sistema que estão sendo desenhadas as novas rotas de viagem que visam aumentar a capacidade de voos durante o evento.

Além dos benefícios relacionados à segurança e rapidez, a tecnologia do PBN vai contribuir ainda para a redução de emissão de CO2 (dióxido de carbono) e do consumo de combustível. De acordo com o governo brasileiro, uma companhia aérea poderá deixar de gastar até R$ 178 milhões em diesel em cinco anos. No mundo, segundo estimativas da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, do inglês, International Air Transport Association), as rotas refeitas pelo PBN podem reduzir a emissão do gás em até 13 milhões de toneladas por ano.

 
 
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