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Espaço Mulher

23/03/2017

Mulher, nordestina e delegada

Brasília, capital federal, durante uma reunião no início dos anos 2000 para tratar de atualizações do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a delegada Kátia Brasil foi surpreendida por um “elogio” de um dos participantes, logo após a sua fala.

“Apesar de ser mulher e baiana, você fala muito bem”, disse um participante do encontro. Segundo ela, naquele momento a vontade foi de “voar no pescoço dele”. “Rebati, me indignei, que em pleno século 21 a gente tivesse que ouvir coisas como essa”, recorda Brasil.

Torcedora do Bahia, aquariana, professora de direito na Universidade Católica, mãe de dois filhos, e mergulhadora nas horas vagas, Katia Maria Brasil Abude, 47 anos, 23 dedicados à Polícia Civil, como revela a história acima, não é de levar desaforo para casa e acredita que diariamente precisa se impor.

“Essa história de Brasília foi só um exemplo, e o pior é que no final da discussão, o cara ainda achava, realmente, que tinha me feito um elogio”, lembra a delegada.

Desde a escolha da profissão, ela afirma que precisou enfrentar o preconceito até dentro da própria família.

“Muitos me diziam, você? Mulher? Vai ser delegada? Mas não dei ouvidos e fui atrás do meu sonho e mostrei que era possível”, disse, lembrando ainda que assim que ingressou na Polícia Civil, passou pelo seu pior momento. “Minha filha tinha nascido prematura, e naquela época a licença maternidade era de três meses, então tive que voltar ao trabalho com essa situação, pois ela só teve alta quando completou um ano de idade. Cogitei até pedir exoneração, mas não desisti por conta do apoio que tive das colegas”, relembra.

Gratificante

A trajetória na instituição começou na Delegacia de Proteção ao Turista (Deltur), como delegada plantonista, depois foi para a 12a Delegacia, em Itapuã, com a mesma função, já na Delegacia Especializada de Repressão a Crimes contra a Criança e o Adolescente (Derca) foi titular.

Atuou ainda no Departamento de Crimes Contra a Vida (DCCV), foi vice-diretora do Departamento de Polícia do Interior (Depin) e coordenadora da Coordenação de Documentação e Estatística Policial (Cdep), atualmente é diretora da Academia de Polícia Civil (Acadepol).

De acordo com ela, a atuação que trouxe maior gratificação profissional e pessoal foi ter sido delegada titular da Derca, onde atuou por sete anos.

“Elucidar crimes de estupros contra crianças e adolescentes, prender os autores e ainda ter ajudado muitas vítimas, com certeza, foi muito gratificante esse período”, afirma, lembrando que até para aniversário de 15 anos de duas meninas vítimas de estupro, ela foi convidada.

“Junto com minha equipe à época, consegui resolver esses dois casos e prender os estupradores, e, para minha surpresa, recebi o convite dessas duas jovens, fui às festas e foi muito emocionante”, conta.

Para as mulheres recém-ingressadas na corporação e para as que querem abraçar a carreira de policial civil, Kátia Brasil deixa um recado.

“Ser delegada é a realização de um sonho pra mim, porque ela dá um empoderamento, mas vem ligada com a responsabilidade, pois nos tornamos pessoas públicas. Então quem opta por essa carreira precisa saber que as atitudes pessoais, seja num shopping, num mercado podem causar repercussões, pois somos policiais 24 horas”.

 
 
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