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03/11/2016

Gás de cozinha mais caro pesa custo de vida do brasileiro

A apenas 15 dias do anúncio de uma nova política de preços de combustíveis, que reduziu o custo na distribuição, mas acabou resultando em aumento da conta do consumidor nos postos de gasolina, a Petrobras anunciou ontem a retirada de subsídios dados pela estatal às distribuidoras de gás de cozinha (o GLP, Gás Liquefeito de Petróleo), medida que deverá encarecer o produto no mês que vem. Ao custo maior se juntará outro serviço público administrado pelo governo, as tarifas de energia elétrica, ainda neste mês, quando voltará a incidir a bandeira tarifária amarela, com cobrança adicional de R$ 1,50 a cada 100 quilowatt-hora (kWh) consumidos. A nova onda de aumentos chega às vésperas das festas de fim de ano e é aplicada a um segmento sobre o qual o consumidor não tem controle e nem opção de rejeitá-los.

De acordo com a Petrobras, os contratos com as distribuidoras de GLP foram modificados “para melhor refletir custos de logística que tipicamente deveriam por elas ser cobertos, mas que eram suportados pela companhia”, afirmou em nota divulgada na tarde de ontem. O impacto no botijão residencial de 13 quilos significaria aumento de preços R$ 0,20 em média nacional, não ultrapassando R$ 0,70 por unidade nos preços cobrados das distribuidoras. Tendo em vista um reajuste de 4%, percentual máximo que as revendas esperavam ontem à tarde, a influência do reajuste na inflação dos mais pobres medida em Belo Horizonte seria de 0,08 ponto percentual, calculou Thaize Martins, coordenadora de pesquisa e desenvolvimento da Fundação Ipead, vinculada à UFMG.

O percentual estimado se refere à pressão do aumento, previsto a partir de 1º de dezembro, sobre o Índice de Preços ao Consumidor Restrito (IPC-R), retrato dos gastos das famílias com renda entre um e cinco salários mínimos na capital mineira, que exibiu queda de 0,17% em setembro. Ainda por meio da nota, a Petrobras se eximiu de qualquer responsabilidade por aumentos de preços do gás que vierem, ao destacar que “não tem qualquer ingerência na precificação final adotada por distribuidoras e revendedores de combustíveis”.

Em seu site, contudo, a Associação Brasileira dos Revendedores de GLP reclama que o novo aumento veio “na forma irresponsável, pois não há uma nota sequer com as devidas explicações”. A entidade diz que o gás de cozinha poderá chegar ao consumidor R$ 4 mais caro, dependendo da marca e da localização, tendo em vista, inclusive, a elevação de encargos tributários gerado a cada reajuste dos preços do produto.

Para justificar a mudança de contratos com a distribuição, a estatal disse, em nota, que um exemplo da importância da medida está na estocagem. O GLP é, muitas vezes, armazenado em tanques da companhia nas entregas feitas por cabotagem. “O preço cobrado de quem usa a infraestrutura da companhia era o mesmo aplicado a clientes que não usam. A partir de agora passa a ser diferenciado, sendo inferior para quem dispõe de infraestrutura própria ou carrega o GLP direto do navio da cabotagem, estimulando as distribuidoras a investir em armazenamento”, afirma.

TIRO NO PÉ Atuando há 13 anos no ramo do comércio de gás de cozinha, Lúcio Gonçalves de Souza, dono de um depósito instalado na Zona Leste de BH, lamentou o novo repasse para as distribuidoras num momento de vendas em queda e clientes insatisfeitos com a inflação alta. “O mercado está ruim e já houve aumento em setembro que não conseguimos segurar. A situação vai se complicar”, reclamou. Lúcio diz ter pago neste ano acréscimo de R$ 9 pelo botijão que compra da distribuidora e vende hoje a R$ 56, em média.

As vendas da empresa aberta um ano atrás caíram 30% desde o mais recente repasse das distribuidoras em setembro. Para tentar reverter a dificuldade, Lúcio passou a trabalhar com maior variedade de marcas e decidiu fazer um apelo inusitado. Estendeu na fachada do depósito uma faixa que chama a atenção, com os dizeres: “Precisa-se de clientes”. A concorrência grande no setor favorece a escolha pelas marcas mais baratas.

Thayse Martins, coordenadora de pesquisa da Fundação Ipead, alerta as donas de casa para a necessidade de pesquisar preços nesta época do ano, quando uma série de produtos costuma encarecer. “Certamente, em novembro e dezembro muitos produtos sofrem aumento com a proximidade das festas de fim de ano. É dobrar a atenção”, afirma. O gás de cozinha foi destaque entre os vilões da inflação de BH no mês passado. Encareceu 5,83% com base no levantamento do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede as despesas das famílias de BH com renda entre um e 40 salários mínimos. Enquanto isso, o IPCA subiu 0,22%.

 
 
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