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Espaço Mulher

26/10/2015

Candidatos aprovam tema da violência contra a mulher

Rio de Janeiro - Os alunos que terminaram o Enem hoje, na Universidade do Estado do Rio (Uerj), um dos maiores locais de prova da capital fluminense, aprovaram o tema da redação sobre a violência contra as mulheres. Alguns pais também prestaram o exame junto com os filhos para tentar uma vaga em um curso superior.

Funcionária do administrativo de um escritório de cardiologia, Alba Lima, 48 anos, decidiu fazer a prova após o incentivo dos dois filhos. "Meu filho me inscreveu. Eu não sabia, aí recebi a mensagem e aproveitei. Tudo aconteceu comigo. Cheguei ontem faltando um minuto para fechar o portão", conta ela, que gostaria de estudar algum curso na área da saúde.

Alba diz que ontem a prova estava mais fácil e o exame do domingo foi mais cansativo. A redação, porém, foi tranquila. Para ela, a pior agressão contra as mulheres é aquela que ocorre dentro de casa e muitas vezes pode ser apenas verbal.

"Nós viemos conversando na condução e uma das meninas achou que ia cair esse tema. Quando as mulheres são agredidas e é mostrado, tudo bem, mas e aquela que ninguém vê? Quando a violência é escondida, em casa, no dia a dia, o agressor vai aos pouquinhos agredindo verbalmente a mulher, colocando ela para baixo e não deixa ela fazer as coisas. Essa silenciosa é a pior", afirma Alba.

Os filhos de Alba têm 20 e 23 anos. O mais velho pretende estudar Administração. Já o mais novo, ainda não decidiu. "Tenho dois filhos fazendo a prova também. Estou torcendo por eles, porque eu já trabalho. Só estou aproveitando a oportunidade que aconteceu comigo e também para dar incentivo a eles", diz ela.

O motorista de ônibus Albano Viveiros, 53 anos, fez uma prova de vestibular pela primeira vez na vida em 2015. Ao lado do filho de 19 anos, ele prestou o exame sonhando com uma vaga no curso de História. Já o filho quer fazer Economia.

Viveiros aprovou o tema e disse que escreveu sobre a necessidade de o Judiciário ser mais ágil nos casos de agressão a mulheres. "A redação não teve tema difícil. Falei sobre a violência que a gente vê nos jornais. A gente fala sobre isso. A minha proposta é para intensificar a Justiça, que ainda é muito branda. Tem que ser mais eficaz e mais rápida", explica ele.

Sobre a prova de matemática, ele admitiu que teve dificuldades. "Matemática eu chutei tudo que eu podia", disse ele, rindo. O grande desejo de Viveiros é estudar História. A inscrição foi feita pela mulher.

"Já estou meio passado, mas vou tentar. Eu quis fazer quando era mais novo, mas não teve como. Meu filho ficou na sala. Vou embora porque ele é demorado, só sai quando acaba a prova mesmo", contou ele, que deixou o exame 2h30 após o início.

Ao tentar o Enem pela terceira vez, a estudante Ana Clara Moreira, 19 anos, disse que agora estava mais preparada para uma vaga em um curso de Jornalismo. Para ela, a prova foi fácil. Na redação, Ana Clara também aproveitou para falar sobre o movimento feminista.

"É um tema que está bem em alta, também sobre feminismo. Não foi nenhuma surpresa para mim. Eu defendi meu lado como mulher. O direito de ir e vir que a gente não tem muito. Aqui no Rio, a gente sempre anda com medo pela rua. Então como os homens podem, nós também podemos ir e vir", afirmou Ana Clara, ao citar casos de assédio.

 
 
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