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Espaço Mulher

25/09/2015

Mulher é presa por injúria racial ao chamar cobradora de 'neguinha'

Uma cobradora de ônibus de 23 anos relatou que foi chamada de 'neguinha atirada' e acusada de furto por uma passageira, dentro de um ônibus do Transcol, na linha que liga Laranjeiras, na Serra, a Vila Velha, na Grande Vitória, nesta quarta-feira (23).

A suspeita foi autuada por injúria racial, mas não pagou a fiança estipulada em R$ 500 e foi levada ao presídio.

O fato aconteceu durante uma viagem da linha 503 em que Thaynara Braga da Conceição trabalha.

O crime foi cometido por uma passageira, de 31 anos, acompanhada da filha de oito anos e de um vizinho.

A suspeita embarcou no coletivo por volta das 9h, na Reta da Penha, em direção a Vila Velha. Thaynara relatou que a passageira entregou a ela uma nota de R$ 5 dobrada e disse para a vítima cobrar duas passagens - a da suspeita e a do vizinho. A trabalhadora disse que devolveu R$ 0,10 de troco.

“Depois ela quis passar junto com a filha, e eu disse que não podia. Ela ficou com raiva, mandou a criança pular a roleta”, contou Thaynara.

Após pagar as passagens, a suspeita foi sentar-se nos fundos do coletivo. Segundos depois, o amigo dela foi até a cobradora exigindo troco para R$ 10. Thaynara disse que só havia recebido R$ 5. “Ela começou a gritar que tinha me dado dinheiro a mais e que eu deveria prestar atenção. Depois, insinuou que eu estava querendo pegar o dinheiro dela”, falou.

Thaynara afirmou que conferiu o caixa e viu que a mulher dizia a verdade. Ela, então, devolveu o dinheiro à passageira, que continuou com as ofensas. O motorista parou o coletivo perto de um carro da polícia e contou o que estava acontecendo. A ocorrência foi encaminhada para a 1ª Delegacia Regional de Vitória.

Expressão 'carinhosa'
Em depoimento, a suspeita afirmou que não teve a intenção de ofender a cobradora. A mulher alega que a chamou de 'neguinha' de uma forma carinhosa. Ela foi autuada por injúria racial, porém não pagou a fiança de R$ 500 e foi levada ao presídio.

“Ela viu a polícia e começou a chorar. Fui humilhada na frente de muita gente. As pessoas não têm o direito de agirem assim”, ressaltou Thaynara.

Segundo ela, a suspeita, após ser detida, pediu perdão. “Não perdoo. Ela quis sim me ofender. Existe uma mistura de tantas raças e cores no nosso País. Isso é no mínimo pobreza de espírito”, desabafou.

 
 
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